Matéria sobre barreiras acústicas no portal AEC Web

Barreiras acústicas reduzem ruídos em regiões vizinhas a vias de fluxo intenso

Solução possui projeto complexo, que considera além das variáveis acústicas, questões arquitetônicas, ambientais e até sociais.

barreiras

As barreiras acústicas são um recurso ainda pouco explorado no Brasil, mas bastante empregado em países da Europa, nos Estados Unidos e no Japão com o objetivo de diminuir os impactos da poluição sonora em regiões urbanas próximas a rodovias ou ferrovias. O sistema, erguido entre a via de tráfego e as edificações vizinhas, atua como um obstáculo físico que contribui para reduzir os ruídos que chegam ao receptor. Sua implementação encontra justificativa na necessidade de proteger os moradores dessas áreas dos efeitos danosos da exposição ao barulho excessivo.

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Barreiras acústicas

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Testes de desempenho de barreiras acústicas em Cidaut (Valladolid – Espanha)

Entende-se por barreiras acústicas qualquer obstáculo à propagação do som entre uma fonte e um receptor.

As barreiras acústicas são elementos físicos instalados nas proximidades das fontes de ruído (rodovia, ferrovia, indústria e equipamentos) ou dos receptores (edificações, postos de trabalho) com o objetivo de proteger aos usuários, moradores ou população em geral do ruído gerado por elas.

Uma barreira acústica atenua a propagação do som através dela por suas propriedades de isolamento acústico mais não pode evitar que som se propague por cima dela o por seus laterais pelo fenômeno da difração, assim um parâmetro básico de seu dimensionamento é a altura. Alem disso, as barreiras podem ser elementos acusticamente refletivos de forma que protejam os receptores localizados atrás dela é prejudicando os que se encontram na frente. Por consta disso devem ser consideradas as propriedades de absorção acústica da barreira.

TIPOLOGIAS DE BARREIRAS ACÚSTICAS

Existem no mercado inúmeras tipologias de barreiras acústicas, sendo as mais destacadas:

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Barreiras de concreto

Barreiras acústicas de concreto:

São das mais utilizadas por seu baixo custo e estabilidade estrutural. Possuem um grau de absorção acústica limitada e sua principal desvantagem é seu elevado peso.

 

Barreiras acústicas metálicas

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Barreiras acústicas metálicas

Podem ser de aço ou de alumínio e são utilizadas nos locais onde o peso é determinante (viadutos, passos elevados, grandes alturas). Geralmente são compostas de duas camadas finas, uma delas perfurada formando um painel que acostuma ser preenchido de material absorvente.

Barreira transparente

Barreira transparente

 

 

Barreiras acústicas transparentes de policarbonato ou vidro

Seu principal benefício é que permitem o passo da luz facilitando a sua integra ção na paisagem. Porem a transparência pode supor um perigo para os animais, especialmente as aves que podem impactar contra elas. Na possui características absorventes.

Barreiras acústicas de madeira e de elementos reciclados

É outro tipo de barreiras acústicas que se integram bem na paisagem e podem ter vantagens meio ambientais, porem podem ter menor desempenho acústico e resistência estrutural e seu preço e mais elevado.

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Barreira de madeira

Barreiras acústicas naturais

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Barreiras acústicas vegetais

São formadas por terra e plantas. Seu principal inconveniente é que geralmente

ocupam um grande espaço que não sempre esta disponível. Integram-se muito bem com a paisagem em meios rurais.

Existe a possibilidade de combinar barreiras artificiais com elementos naturais como plantas para reduzir seu impacto visual sobre a paisagem porem este tipo de barreiras precisa de uma maior manutenção para conservar um aspecto adequado.

Implantação das barreiras acústicas

No processo de implantação das barreiras acústicas são necessárias três etapas fundamentais:

Projeto

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Simulação acústica do desempenho de barreiras: Níveis sonoros no entorno da rodovias sem barreiras (esquerda) e com barreiras (direita).

Deve-se definir de forma adequada a localização, altura e materiais da barreira para assegurar a atenuação do som esperada. O dimensionamento deve ser realizado mediante técnicas de calculo adequadas. Com o estudo acústico mediante simulações acústicas pode-se conhecer, antes da instalação, o desempenho acústico da barreira de forma que poderemos dimensiona-lha adequadamente ao grau de proteção requerido evitando custosos sobredimensionamentos ou implantações que não atingem o desempenho esperado.

Alem do projeto acústico é importante considerar o adequado dimensionamento estrutural, o atendimento dos requisitos de segurança, assim como os condicionantes paisagísticos, urbanísticos e meio ambientais.

Instalação

Primeiramente, através de um controle do recebimento dos produtos, devemos nos assegurar que elementos envolvidos para a  barreira acústica atendam os requisitos de isolamento e absorção acústica, assim como os estruturais definidos no projeto.

Instalação de barreiras

Instalação de barreiras acústicasojeto.

Posteriormente se verificara que a barreira é instalada na localização exata para qual foi realizado o estudo acústico, já que uma pequena alteração da localização pode gerar grandes perdas de desempenho acústico sobre o esperado. Finalmente, devemos controlar que a barreira é instalada conforme as especificações do projeto, minimizando as frestas entre os elementos que compõem a barreira acústica assim como entre a barreira e o solo.

Avaliação do desempenho acústico

Depois da instalação da barreira e recomendável verificar o atendimento da atenuação pretendida. Esta avaliação pode ser feita através de medições acústicas do nível de pressão sonora nos receptores a serem protegidos ou mediante medições das perdas por inserção da barreira.

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Cartaz dos requisitos acústicos do Brasil

Aproveitando a publicação da NBR 15.575 Edificações habitacionais – Desempenho, realizamos este cartaz com uma recopilação dos requisitos acústicos das seguintes normas do Brasil para que possam baixa-lo é imprimi-lo e facilitar assim a consulta dos mesmos:

  • NBR 15.575:2013 Edificações habitacionais – Desempenho (Partes 1,3,4,5,6)
  • NBR 10151:2000 Acústica – Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade – Procedimento
  • NBR 10152:1987 Acústica – Níveis de ruído para conforto acústico

Sabemos que faltam as trabalhistas!! Vamos providenciar!

Requisitos Brasileiros de acústica

Requisitos Brasileiros de acústica

Projeto Europeu COST de Harmonização de Parâmetros Acústicos em Edificação

Na Europa, os requisitos legais sobre desempenho acústico das edificações habitacionais varia muito entre os países tanto no tipo de descritor ou parâmetro utilizado (Dnt,w, Dnt,A, R’w, Dnt,w+Ctr, etc.) como nos valores dos limites legais (desde os 45 dB do Reino Unido ate os 55 dB da Áustria para isolamento a ruído aéreo entre dormitórios). Para complica-lo mais, alguns países (nove) tem sistemas de Classificação Acústica (como existem na NBR 15.575 de Desempenho) porem o numero de níveis de desempenho é diferente entre países assim como os degraus entre as diferentes classes. Essas divergências representam uma barreira para a troca de experiências entre os países e para o comercio, alem de dificultar o desenvolvimento de soluções acústicas.

Particiantes do COST TU0901 em Tecnicacústica 2013 (Valladolid - Espanha)

Particiantes do COST TU0901 em Tecnicacústica 2013 (Valladolid – Espanha) de esquerda a direita na imagem:Michael Vorlander, Patrizio Fausti, Jorge Patrizio, Sonia Antunes, María Machimmbarrena, Juan Frías, Carolina Monteiro e Stefano Pedersoli.

 

O Projeto Europeu COST TU0901 Integrating and Harmonizing Sound Insulation Aspects in Sustainable Urban Housing Constructions foi começou no ano 2009 com o objetivo de harmonizar os descritores e parâmetros das legislações sobre desempenho acústico das edificações dos diferentes países europeus (isolamento a ruído aéreo e isolamento a ruído de impacto entre unidades, isolamento acústico a ruído aéreo de fachadas) assim como desenvolver um sistema comum para toda Europa de Classificação Acústica de Edificações com um numero fixo de classes ou níveis de desempenho.

Essa harmonização de critérios acústicos é importante para conseguir avances globais e sera bem recebida pela indústria da edificação, o governo e os centros de pesquisa. A ação estimulara a inovação dando um suporte à sustentabilidade através de objetivos simplificados de pesquisa e desenvolvimento, reduzirá as barreiras comerciais  entre os países da União Europeia e facilitara as ações de marketing. Para atingir os objetivos, o projeto deve incluir uma coordenação da atividade de pesquisa, transferência de tecnologia, avaliações psicoacústicas e compilação de dados acústicos de soluções acústicas típicas e de alto desempenho.

O projeto esta presidido por Birgit Rasmussen (Instituto Dinamarquês de Pesquisa em Edificação) e Maria Machimbarrena (Universidade de Valladolid) e conta com três grupos de trabalho:

  • WG 1: Descritores de desempenho acústico
  • WG2: Psicoacústica
  • WG3: Soluções construtivas

Os objetivos principais do projeto são o desenvolvimento de um conjunto harmonizado de descritores para isolamento a ruído aéreo e de impactos e a proposta de um sistema de classificação acústica de edificações, porem existem também os seguintes objetivos secundários:

  • Consideração adequada das baixas frequências.
  • Desenvolvimento de uma pesquisa sobre incomodo produzido pelo ruído de vizinhança.
  • Fornecer uma correlação entre descritores objetivos de isolamento acústico e sensação de incomodo.
  • Criação de um catalogo de dados de isolamento acústico de soluções construtivas existentes nos diferentes países participantes.
  • Produzir uma guia on-line sobre boas praticas construtivas.

O COST TU0901 conta com a participação dos seguintes países: Áustria, Bélgica, Republica Checa, Dinamarca, Estônia, Finlândia, Francia, Alemanha, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, Eslovênia, Eslováquia, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido.

 

Fonte: http://www.costtu0901.eu/

Medições acústicas. Você sabe como funciona um sonômetro? A ponderação temporal e o tempo de integração

Quando falamos de medições acústicas é muito importante atender os tempos para realização da media temporal (ponderação temporal) que utilizamos assim como o tempo de integração para a obtenção dos níveis equivalentes. Utilizar uma ponderação temporal errada ou um tempo de medição não adequado pode produzir que a avaliação do ruído não seja representativa da situação acústica real, resultando em valores muito altos ou baixos em função do erro cometido invalidando a medição acústica.

A grandeza para avaliar o nível de ruído e a pressão acústica (Pa; Pascales = N/m2)

A pressão acústica varia arredor da pressão atmosférica de uma forma muito rápida. Em função da frequência do som pode variar ate 20.000 vezes em um segundo pelo que não teria nenhuma utilidade visualizar em um sonômetro o valor da pressão acústica de forma instantânea. O interessante é realizar uma media dos níveis médios do valor quadrático de pressão em cada intervalo temporal de integração.

A forma de avaliar o nível acústico é através do valor médio da pressão sonora elevada ao quadrado em um tempo determinado, o que nos proporciona a informação sobre a energia acústica que recebem nossos ouvidos em esse período de tempo.

Os tempos de resposta normalizados para ponderação temporal do som foram implantados nos aparelhos de medição de ruído para proporcionar uma indicação visual de níveis de ruído flutuantes no tempo.

O detector do valor quadrático médio do sinal (em inglês root mean square – RMS) do equipamento de medição sonora proporciona uma media temporal do valor quadrado do sinal de pressão sonora. Assim, a função do detector é elevar ao quadrado os valores instantâneos do sinal elétrico produzido pelo microfone, calcular seu valor médio em um período determinado de tempo (ponderação temporal) e calcular seu logaritmo. Geralmente, o usuário pode escolher entre a opção FAST na qual a constante de tempo do circuito detector  tem o valor de 125 mseg, ou a opção SLOW onde a constante de tempo é de 1 seg o que significa que responde mais devagar as diferentes flutuações do som.

O detector impulso (Impulse)

Alem das opções de ponderação temporal FAST e SLOW, também existe o detector IMPULSE que responde mais rapidamente as variações instantâneas da pressão sonora durante o tempo de medição. Em este caso a constante temporal do circuito detector é de 35 mseg de sobida e 1,5 de descida. A ponderação temporal IMPULSE se adéqua melhor à percepção sonoro do nosso ouvido para som muito flutuantes no tempo e é usado para a avaliação de ruídos impulsivos.

Níveis medidos com diferentes ponderações temporais

Níveis medidos com diferentes ponderações temporais

Ponderações temporais para um ruído impulsivo

As normas de avaliação ambiental normalmente especificam o tipo de ponderação temporal que deve ser utilizado (FAST, SLOW ou IMPULSE). Estas normas podem fazer referencia à níveis equivalentes durante um período de tempo determinado, ou bem à níveis máximos, embora estes valores sempre sejam valores integrados durante um período temporal. As legislações e normativas nunca fixam seus requisitos em função dos níveis máximos instantâneos (pico), senão que sempre são referenciados a niveis equivalentes integrados para um determinado período temporal (FAST, SLOW, IMPULSE, etc.).

Diferentes parámetros em função da ponderação temporal

Diferentes parámetros em função da ponderação temporal

Diferença entre os níveis instantâneos e os níveis equivalentes.

Alem da ponderação temporal escolhida também é determinante o tempo total de medição considerado. Em função do tempo de medição de um evento acústico, o nível acústico equivalente pode sofrer grandes variações.

Para esclarecer isso, vamos usar o exemplo da medição do ruído gerado pelo passo de um trem. Considerando que estamos utilizando a ponderação temporal FAST, o nível sonoro máximo (Lmax) produzido pelo passo do trem a uma distancia de 20 metros da ferrovia poderia atingir os 90 dB(A) enquanto que o valor de pico Lpeak pode superar os 100 dB(A). Se medimos o nível acústico equivalente (Leq) do trem durante o tempo de passo (p.ex. 1 minuto) o nível poderia ficar por volta dos 80 dB(A) (linha azul da figura 1).

Porem, se nos medíssemos o ruído procedente da ferrovia durante a noite (8 horas, com um ruído residual de 50 dB(A) quando nenhum trem esta passando) e apenas passase um único trem durante a noite toda, o nivel equivalente da medição seria de 55 dB(A) (linha azul da figura 2). Assim, em função de forma em que seja realizada a medição acústica, poderíamos obter valores de 55 dB(A), 80 dB(A), 90 dB(A) e até chegar a mais de 100 dB(A) para uma mesma fonte!!!.

Mesma fonte, diferentes resultados da avaliação em função da poderação temporal e tempo de integração.

Mesma fonte, diferentes resultados da avaliação em função da poderação temporal e tempo de integração.

Antes da realização de uma medição acústica, resulta fundamental conhecer o que pretende medir e como deve ser medido para atender as normas e legislações aplicáveis.

 

 

Simulação do impacto acústico do viaduto do Minhocão em São Paulo

Com este novo post a Bracustica começa a publicar os resultados do Estudo Acústico do Viaduto do MInhocão na cidade de São Paulo.

O minhocão foi idealizado pelo prefeito José Vicente Faria Lima como uma forma de descongestionar o trânsito da Rua Amaral Gurgel e Avenida General Olimpo da Silveira  através de uma via expressa paralela (elevada) com idêntico percurso das ruas, porem sua construção foi adiada varias vezes devido ao enorme impacto sobre a região e a oposição dos moradores e não foi inaugurado ate ano 1970 pelo prefeito Paulo Maluf.

O viaduto, que tem mais de 40 anos de polêmica, tem um comprimento de 3400 metros, 6 faixas é chega a passar a cinco metros dos prédios residenciais com um trafego diário de entre 80.000 e 120.000 veículos diários, o que há produzido uma degradação da vizinhança  e uma desvalorização dos imóveis próximos por conta da poluição do ar a poluição sonora e degradação urbana.

A reação popular devido estes fatos levou a que no 1976 o viaduto fosse interditado durante a noite para reduzir os níveis de ruído na região e favorecer o direito ao descanso dos moradores. Hoje o viaduto funciona de segunda a sábado entre 6.30 da manha e 21.30 da noite e os domingos sua superfície vira espaço de lazer.

 

Desde o mandato da Prefeita Luiza Erundina (1989-1992) se começou a falar de sua demolição que não foi produzida ate hoje pela falta de alternativas que prejudicariam a mobilidade da cidade. No ano 2010 o prefeito Kassab divulgou um projeto de demolição porém fontes afirmam que isso não acontecera ate antes de 2025.

A Bracustica desenvolveu um estudo de mapeamento de ruído mediante simulações acústicas mostrando o impacto acústico nas proximidades do Minhocão que permite avaliar os níveis de ruído que inciden sobre as fachadas dos prédios do seu entorno.

Os estudos de mapeamento de ruído permitem simular o impacto acústico que gerado por fontes como industrias, trânsito, infraestruturas ferroviárias ou aeroportos. O impacto acústico e avaliado pelo nível de pressão sonora ponderado A (LAeq) em dB, mediante um código de cores. Estes estudos de ruído permitem avaliar o numero de pessoas afetadas pela contaminação acústica, assim como simular os benefícios que produziriam diferentes ações mitigadoras que poderiam ser implantadas avaliando a relação custo-beneficio.

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O resultado do mapeamento revela uns níveis de ruído superiores a 75 dBA em quase todas as fachadas o que supera amplamente o valor de 55 dBA recomendado pela Organização Mundial da Saúde para ambientes exteriores.

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A norma brasileira NBR 10051 Avaliação de ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade, fixa um níveis máximos de ruído durante o dia de 55 dBA para áreas residenciais e de 60 dBA para áreas com vocação comercial e administrativa, valores que também não são atendidos para o caso do minhocão. Se considerarmos um isolamento acústico típico de uma fachada entre 20 e 25 dBA, significaria que os vizinhos do Minhocão estariam sofrendo uns níveis de ruído no interior da suas residências superiores a 55 dBA em quanto os níveis de ruído recomendados pela OMS são de 30 dBA para ambientes internos.

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O mapeamento acústico mediante siulações acústicas e uma ferramenta fundamental no planejamento urbano sustentável que consegue avaliar preditivamente o impacto acústico gerado por modificações urbanísticas e planejar as ações mitigadoras se for necessárias, permitindo escolher as alternativas de menor impacto.

 

O que é o decibel acústico?

Sim, já vimos a sua definição em muitas ocasiões, porem alguém ló entende?. Em este blog pretendemos explicar com uma linguajem pouco matemático e mais intuitivo o que significa o deciBel.

O que e o deciBel acústico?

O decibel (dB) e uma unidade logarítmica, adimensional e matematicamente escalar. E a décima parte de um Bel, que e o logaritmo decimal entre uma grandeza de interesse e a grandeza de referencia.

Como sempre, não entendo…

Vamos por partes. O nível sonoro e proporcional ao quadrado da variação da pressão atmosférica e o ouvido humano tem a capacidade de detectar variações de pressão eficaz entre 0,00002 Pascais (Pa) e 200 Pascais (Pa), que significa uma variação de 10 milhões de unidades (ao quadrado!)… porem, alem disso, para ouvido humano não e a mesma coisa uma pequena variação quando tem pouco ruído que quando tem muito ruído…

Porque os acústicos fazeis tudo tão complicado?

A complicação não e a toa, nem por complicar a acústica. O motivo e que nosso ouvido e um instrumento maravilhoso que se adapta constantemente, para poder medir com a mesma exatidão grandezas de ordem muito pequeno e outras extremadamente grandes. Imaginem uma balança capaz de pesar miligramas e Miles de toneladas sem nenhuma preparação nem fazer nenhuma alteração…

decibel1

Ainda não entendi nada, pode me dar mais um exemplo?

Vamos supor o preço dos bens e nossa valorização de eles… Quando vemos o preço da gasolina geralmente nos focamos nos centavos, e uma pequena variação faz que fiquemos muito chateados de manha no posto. Quando vamos ao mercado nos focamos nas variações do Real nos preços dos produtos (geralmente não reparamos nos centavos). Quando vamos comprar roupas, nosso nível de atenção esta por volta dos R$10 por cima ou por abaixo (R$1 já não e mais critico). Quando o que queremos comprar e um carro, repararemos mais em escalas de R$100 (agora R$ 10 já não são mais importantes)… e quando os políticos nos falam de dinheiro… então já não entendemos nada, porem a escala pode ser de milhões de reais ou mais.

decibel1

No caso do ouvido e igual. Quando estamos em nosso quarto em total silencio, podemos escutar o barulho de um pernilongo que já supõe uma pequena variação do som ambiente do quarto. Essa pequena variação e importante e nosso ouvido e capaz de percebê-la. Quando estamos em uma rua movimentada não vamos ser capazes de ouvir um mosquito que voe por perto. Agora, a mesma variação de pressão acústica já não e mais detectada por nosso ouvido.

Por tanto, ou que realmente importa ao medir um som e quantas vezes superamos o nível mínimo que somos capazes de escutar (20 micro pascais) e por isso trabalhamos com o logaritmo decimal.

Logaritmo?? Nunca entendi isso

O logaritmo pode-se simplificar como “contar” o numero de zeros que tem um numero. Assim, por exemplo, o 10 tem 1 zero, o 100 tem dois zeros, o 1000 tem 3 zeros… e o 1 não tem zeros.

Conforme a isso, o logaritmo de 10 e 1, de 100 e 2, de 1000 e 3… e de 1 e 0.

De esta forma já conseguimos simplificar a nossa escala acústica, porque então somos capazes de ouvir desde 0 Bels (a referencia) ate (Quantos zeros tinha 10 milhões ao quadrado?): 14 Bels. Como o que interessa e o deciBel ou dB (lembre que e a décima parte de um Bel), a escala fica em valores entre 0 e 140 dB.

É claro que tudo se complica…

Sim, porque os decibels não podem ser operados (somados ou restados) matematicamente de forma direta. Para fazer contas temos que convertê-los antes nas grandezas originais (pascal ao quadrado).

Por isso, 100 dB + 100 dB não são 200 dB… senão que são 10.000.000.000 + 10.000.000.000 Pascal (Pa) ao quadrado, ou seja, 20.000.000.000 ao quadrado… o que são 103 dB.

Assim acontece que duas fontes de 10 dB (10 dB + 10 dB) resultam em 13 dB ou duas de  50 dB (50 dB + 50 dB) são 53 dB, e cada vez que duplicamos a fonte incrementamos 3 dB.

Logicamente tudo fica mais complicado na hora de somar fontes, calcular isolamentos acústicos, restar ruídos de fundo, etc.

Por exemplo, quando falamos que uma janela tem um desempenho de isolamento acústico de 40 dB, queremos dizer que reduz a energia acústica do ruído exterior 10.000 vezes! E mesmo assim nosso ouvido ainda e capaz de escuta-lo.

Isso faz da acústica uma matéria especial e complicada, e dos acústicos umas pessoas que pensam em logaritmos, e que estamos dedicados a medir, diagnosticar e reduzir o ruído do nosso entorno.

Requistos acústicos da Norma de Desempenho NBR 15.575:2013

Desde o passado dia 19 de julho de 2013 e exigível aplicação nos novos projetos de edificação residencial das Normas NBR 15.575:2013 Edificações habitacionais – Desempenho em suas 6 partes.

  • NBR 15.575-1:2013 Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 1: Requisitos gerais.
  • NBR 15.575-2:2013 Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 2: Requisitos para os sistemas estruturais.
  • NBR 15.575-3:2013 Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos.
  • NBR 15.575-4:2013 Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 4: Requisitos para os sistemas de vedações verticais internas e externas SVVIE.
  • NBR 15.575-5:2013 Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 5: Requisitos para os sistemas de coberturas.
  • NBR 15.575-6:2013 Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 6: Requisitos para os sistemas hidrossanitarios.

As normas foram desenvolvidas pelo ABNT/CB-02 Construção Civil e fixam os requisitos mínimos de desempenho nos seguintes itens:

Segurança:

  • Estrutural
  • Segurança contra o fogo
  • Segurança de uso e operação

Habitabilidade:

  • Estanqueidade
  • Desempenho térmico
  • Desempenho acústico
  • Desempenho lumínico
  • Saúde, higiene e qualidade do ar
  • Funcionalidade e acessibilidade
  • Conforto tátil e antropodinâmico

Sustentabilidade:

  • Durabilidade
  • Manutenbilidade
  • Impacto ambiental

Para alguns dos itens como o desempenho acústico a norma inclui em anexos normativos (não obrigatórios) níveis de desempenho mais elevados (Intermediário e Superior) que superam os requisitos mínimos fornecendo um maior conforto.

Dentro do desempenho acústico a norma estabelece os seguintes requisitos:

  • Isolamento a ruído aéreo (normativo): Paredes, fachadas e sistemas de pisos.
  • Isolamento a ruído de impacto (normativo): Sistemas de pisos
  • Nível de ruído (informativo): Instalações e equipamentos prediais, sistemas hidrossanitarios

A tabela a seguir resume os requisitos de desempenho acústico da norma NBR 15.575 para os diferentes sistemas construtivos:

 

SISTEMA
ELEMENTO
PAR
NIVEL DE DESEMPENHO
MIN
INT
SUP
ISOLAMENTO ACÚSTICO A RUIDO AEREO
Vedações verticais internas (paredes)

 

NBR 15575-4

NBR 15575-5

Parede entre unidades habitacionais autônomas (parede de geminação) nas situações onde não haja ambiente dormitório
DnT,w
(dB)
≥ 45
≥ 45
≥ 50
Parede entre unidades habitacionais autônomas (parede de geminação) onde pelo menos um dos ambientes ser dormitório.
≥ 45
≥ 50
≥ 55
Parede entre de dormitórios e áreas comuns de transito eventual, tais como corredores e escadaria dos pavimentos.
≥ 40
≥ 45
≥ 50
Parede cega de salas e cozinhas entre uma unidade habitacional e áreas comuns de transito eventual, tais como corredores e escadaria dos pavimentos.
≥ 30
≥ 35
≥ 40
Parede cega entre uma unidade habitacional e áreas comuns de permanência de pessoas, atividades de lazer e esportivas, como home theater, salas de ginástica, salão de festas, salão de jogos, banheiros e vestiários coletivos, cozinhas e lavanderias coletivas.
≥ 45
≥ 50
≥ 55
Conjunto de paredes e portas de unidades distintas separadas pelo hall (DnT,w obtida entre as unidades)
≥ 40
≥ 45
≥ 50
Fachadas
NBR 15575-4
NBR 15575-5
Fachada de dormitório sujeito a ruído ambiental exterior classe I (Distante de fontes de ruído intenso de quaisquer naturezas).
D2m,nT,w (dB)
≥ 20
≥ 25
≥ 30
Fachada de dormitório sujeito a ruído ambiental exterior classe II (situações de ruído não enquadráveis nas classes I e III.
≥ 25
≥ 30
≥ 35
Fachada de dormitório sujeito a ruído ambiental exterior classe III1 (ruído intenso de meios de transporte e de outras naturezas)
≥ 30
≥ 35
≥ 40
Sistemas de pisos
 
NBR 15575-3
Sistemas de piso separando unidades habitacionais autônomas de áreas em que um dos recintos seja dormitório
DnT,w (dB)
≥ 45
≥ 50
≥ 55
Sistemas de piso separando unidades habitacionais autônomas de áreas comuns de transito eventual, tais como corredores e escadaria nos pavimentos, bem como em pavimentos distintos.
≥ 40
≥ 45
≥ 50
Sistema de piso separando unidades habitacionais autônomas de áreas comuns de uso coletivo (atividades de lazer e esportivas, home theater, salas de ginástica, salão de festas, salão de jogos, banheiros e vestiários coletivos, cozinhas e lavanderias coletivas)
≥ 45
≥ 50
≥ 55
ISOLAMENTO ACÚSTICO A RUIDO DE IMPACTOS
Sistemas de pisos

NBR 15575-3

Sistema de piso separando unidades habitacionais autônomas posicionadas em pavimentos distintos
L’nT,w (dB)
≤ 80
≤ 65
≤ 55
Sistemas de piso de áreas de uso coletivo (atividades de lazer e esportivas tais como home theater, salas de ginástica, salão de festas, salão de jogos, banheiros e vestiários coletivos, cozinhas e lavanderias coletivas) sobre unidades habitacionais autônomas
≤ 55
≤ 50
≤ 45
NIVEL DE RUIDO
Instalações e equipamentos
NBR 15575-1

NBR 15575-6

Nível de pressão sonora continuo equivalente medido em dormitórios
LAeq,nT (dBA)
≤ 37
≤ 34
≤ 30
Nível de pressão sonora máximo medido em dormitórios
LASmaxNT (dBA)
≤ 42
≤ 39
≤ 36
1. Valores em negrito são normativos e o resto informativo
2. Em regiões de aeroportos, estádios, locais de eventos esportivos, rodovias e ferrovias há necessidade de estudos específicos para determinar o ruído ambiental exterior.

 

Para compra das normas visite: www.abntcatalogo.com.br